sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Mais um pedacinho de mim...

“O puro vigor do enigma nomeado vem da origem futura do seu
aéreo centro. A palavra não diz mas abre e a sua abertura coincide
com a frescura que começa diante de si e até si vem com o sopro
do horizonte.”
Ramos Rosa, Relâmpago de Nada


O dia começa rapidamente.
O enigma da vida subsiste
Não sei que vai acontecer hoje.
No sopro do vento sinto que tudo é inseguro
Na frescura do nevoeiro penso que o amanhã voltará
Os anos passaram
Os anos abriram
Regressaram... Partiram...
Naquela manhã o horizonte era o futuro
Nesta manhã o centro é o presente
Os pássaros voam, o vento passa rasteiro, as flores tremem de arrepio.
Tudo lá fora se manifesta inseguro
Sinto os carros lá fora de um lado para o outro
Sinto vozes de alguém que não sabe para onde vai
Sinto-me como se fosse uma criança
Que não reconhece o abismo de ruídos, o abismo do mundo exterior.
Sinto-me como estranha
Acabada de chegar, acabada de nascer...

HR.

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